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Arquitectos-entrevista-longo

 

“NOS” na Arquitectura
Criatividade e inovação em escritórios-serviços

 

Corria o ano de 2012.

Portugal, Estado-nação mais antigo da Europa, vivia o epicentro, senão da maior, pelo menos de uma das maiores crises económico-financeiras, desde a sua fundação.

Não obstante este contexto adverso, e fruto da visão e persistência, só própria de conjugados esforços de empresários patrocinadores das grandes obras, em Lisboa acontecia:

No Campo Grande, fruto da requalificação de uma área de 110 000 Metros quadrados, envolventes ao estádio Alvalade XXI, nascia a primeira fase do plano urbanístico Metrópolis, um inovador modelo de centralidade cosmopolita, promovido pela, entretanto extinta, Multi Development.

Da excelência da arquitetura edificada, daí emergente, sobressai, com majestosa e sóbria singularidade estética e funcional, o edifício “NOS”.

Um edifício de 15000 metros quadrados, em vidro, totalmente concebido de raiz, para, personalizadamente, sediar esta prestigiada empresa e os seus 1400 colaboradores mais diretos.

E com isto, estava feito o “desafio do óbvio”! Ou seja, com este emblemático edifício “NOS”, ergueu-se também, um simbólico e contemporâneo “Padrão” português, evocativo daquilo que, nesta era moderna, possa ser um inovador e disruptivo conceito de “edifício de escritórios-serviços”.

Impunha-se pois, e muito em especial, na vertente que à “Arquitetura” diz respeito, tentar auscultar a opinião do prestigiado gabinete CPU Urbanistas e Arquitectos nas pessoas do Arquiteto Urbanista Adriano Callé Lucas, seu fundador e presidente, e do Arquiteto Miguel Andrade e Sousa seu director geral, afinal, o gabinete responsável pela conceção (com a T+T Design), pelo desenvolvimento e implementação, tanto do projeto de urbanização Metrópolis, como do edifício “NOS”.

Aqui fica o registo dessa amável entrevista concedida, pelos Senhores Arquitetos Adriano Callé Lucas e Miguel Andrade e Sousa, à edição Nº102 da revista digital, NOTICIAS Saint-Gobain Glass e na qual, também marcaram enobrecida presença, os Senhores Arquitetos Augusto Lopes e Carlos Ruas da equipa da CPU.

 

SAINT-GOBAIN GLASS: CPU Consultores e Arquitetos é detentor de um acervo, ímpar, quer em termos de diferenciação de áreas de intervenção, quer em termos de alargada carteira de clientes, em cada uma delas, e isto, tanto no plano nacional, como internacional! Será que nos pode falar da alma, da filosofia de atuação deste posicionamento CPU?

Arquiteto Adriano Callé Lucas: Existimos há 31 anos com o objetivo de sermos um grupo de consultoria interdisciplinar, no âmbito da Arquitetura (residencial, escritórios-serviços, reabilitação, hospitalar, “retail”); Planeamento Urbanístico; Avaliação Imobiliária, Industrial e Turística e Certificação Energética. Actualmente com a vantagem de estarmos presentes em diversos países..

Na prática, a CPU presta serviços, tais como determinar as melhores utilizações para terrenos e edifícios; apurar o seu valor patrimonial; otimizar os projetos de forma a que sejam o mais adequados nas várias vertentes de “Arquitetura”, nomeadamente: do ponto de vista estético, funcional, de integração urbana, mas também de sustentabilidade ambiental e do ponto de vista da sua valia económica, financeira e social.

Neste âmbito as nossas equipas são flexíveis e são constituídas e ajustadas aos requisitos específicos de cada projeto.

Por exemplo e a título ilustrativo: uma equipa dedicada a um projeto pode incluir urbanistas; arquitetos, arquitetos de interiores; especialistas em projetos de áreas comerciais, engenheiros civis e mecânicos, economistas, peritos avaliadores, entre outras especialidades estruturantes e ou complementares, caso a caso.

Esta forma de prestar serviços, através de equipas pluridisciplinares e com uma dinâmica colaborativa inter equipas, dentro de um único gabinete, implica também que a CPU possa desenvolver vários tipos de estudos, planos e projetos e com estilos versáteis, com vista ao melhor resultado final, que é também colectivo. Assim, são sobretudo os elevados padrões de qualidade, face aos objetivos e metas de cada desafio em cada projeto, que são a nossa maior preocupação. Esta forma de orientar os nossos serviços tem também resultado no facto de não termos um estilo único, ou imagem identitária, que possa caracterizar a nossa atuação, mas vários que se adaptem aos desafios e exigências técnicas, estéticas, económicas, ambientais e sociais de cada projeto, e para cada local, e aos objetivos dos clientes e utilizadores.

Estas ideias são a base da nossa atuação e da nossa experiencia acumulada, e estão naturalmente presentes nas várias atividades e projetos que temos desenvolvido, a nível nacional e internacional, como sejam centros comerciais na Turquia e na China ou escritórios-serviços, em Portugal, como o edifício “NOS”.

 

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SAINT-GOBAIN GLASS: Pois bem, falemos então sobre o edifício “NOS”. Mas primeiro, será que nos poderiam falar do plano urbanístico onde ele está inserido e depois sim, o enquadramento do edifício “NOS”, nesse contexto?

Arquiteto Adriano Callé Lucas: Quando o Sporting Club de Portugal decidiu construir um novo estádio estudou-se a melhor forma de ocupar aqueles terrenos, cerca de 110.000 metros quadrados que abrangem o espaço ocupado pelo antigo estádio e pelo actual estádio Alvalade XXI e em que uma das suas mais-valias era a sua ampla exposição à Segunda Circular, frente ao jardim do Campo Grande.

Esse estudo esteve muito orientado para a avaliação das potencialidades desse espaço e geografia local e do seu enquadramento na cidade de Lisboa, nomeadamente nas vertentes: funcional, económica e de forma, considerando o privilégio das acessibilidades do metropolitano e restantes transportes públicos e acessos viários.

O desafio que se pôs foi fundamentalmente o seguinte:

“Como criar um espaço multifuncional, estética e funcionalmente moderno, atrativo e com uma identidade própria, para quem lá viva, trabalhe ou o procure como espaço de lazer ou cultura?”

O Plano Urbanístico em que o espaço está incluído foi integralmente elaborado, incluindo as componentes comercial e residencial. Neste momento, o que está materializado é apenas parte da primeira fase da qual sobressai, na extremidade sul, o edifício “NOS”, com toda a sua volumetria e estética em vidro, em que o arco, o grande vão que fica na parte central do edifício, se assume como um convite, uma porta de entrada, para esse “espaço central multifuncional” , ainda por concretizar.

Relativamente à segunda parte da sua questão, o do porquê a localização do edifício “NOS” (à época ainda denominado “ZON”), naquele sítio em concreto, diria que o que mais pesou foi, por um lado, a sua proximidade com os pontos de acesso aos transportes públicos e por outro lado o espaço desafogado e amplo, onde se poderia enquadrar um edifício com aquelas dimensões e características, as de “escritórios-serviços” com grande visibilidade.

 

SAINT-GOBAIN GLASS: O edifício “NOS”, foi feito de raiz, para o cliente “NOS”! Que requisitos prévios se colocavam, na vertente funcional?

Arquiteto Miguel Andrade e Sousa: Sim, efetivamente, este edifício foi todo ele concebido em função do utilizador final, a “NOS”.

Isto é, a nossa preocupação central foi a de se mensurar, em que medida o edifício em si mesmo, poderia contribuir, de forma efetiva, para a competitividade da empresa “NOS”, e, entre outras mais-valias, reduzir-lhe custos fixos potenciando simultaneamente ganhos de produtividade operacional. E assim aconteceu.

Ou seja:

A “NOS”, reduziu em mais de 20%, os custos associados a instalações, versus a situação anterior;

No projeto, um dos desafios criativos foi o da incorporação das mais avançadas soluções em vidro, quer em interiores, quer em exteriores, nomeadamente a dos grandes envidraçados, em que pelas suas características conferem ao edifício o máximo aproveitamento da luz natural, mas baixa emissividade e elevados padrões de eficiência energética, o que inclui poupanças permanentes na fatura da eletricidade e maiores ganhos de conforto térmico-acústico e de segurança e maior eficiência ambiental, incluindo as significativas reduções de emissões de CO2.

Em suma, um edifício que reflete sustentabilidade.

No que se prende com a potenciação dos ganhos operacionais dos colaboradores, a arquitetura de interiores, teve como preocupação central, na otimização funcional e organizativa dos espaços, o conforto, propiciador do melhor clima organizacional, motivação, criatividade, espírito colaborativo, sentimento de pertença, orgulho, excelência nos resultados.

Acredito que os espaços condicionam sempre os comportamentos.

No plano institucional, o impacto e modernidade do edifício, reforça, e em muito, a imagem institucional da “NOS”, como a de uma empresa preocupada com a sustentabilidade ambiental, socialmente responsável e com inovadoras dinâmicas competitivas, portadoras de futuro.

 

SAINT-GOBAIN GLASS: O vidro sobressai como um dos aliados naturais. É assim?

Arquiteto Carlos Ruas: Sim, o edifício “NOS” é igualmente um exemplo maior de simbiose do vidro na arquitetura.

Por exemplo, uma das diretrizes por parte da entidade utilitária foi a de que o edifício seria para uma grande densidade de ocupação, 1400 postos de trabalho. O vidro permitiu uma estrutura que proporcionou uma maneira mais agradável de trabalhar transmitindo profundidade dada a entrada de luz natural no espaço, para alem do conforto térmico-acústico.

Vidro é luz: bem precioso e material de eleição pois reduz as necessidades de luz artificial.

 

SAINT-GOBAIN GLASS: Porque o tempo também condiciona o espaço, teremos de ficar por aqui, não obstante o muito que haveria ainda para perguntar! Pela referência pessoal e profissional que é, será que lhe posso pedir uma mensagem sua, para passar ao mercado, a toda a fileira da construção civil, em Portugal?

Arquiteto Adriano Callé Lucas: Penso que o exemplo de que acabamos de falar, o edifício “NOS” diz bem qual deva ser a mensagem:

Durante demasiados anos negligenciou-se, em Portugal, a reabilitação dos centros das cidades. Os incentivos à reabilitação, recentemente introduzidos, são muito positivos e é notável a transformação que começa a verificar-se nos centros históricos de algumas cidades como é o caso de Lisboa. Contudo, temos de contrabalançar a actual “moda” do enfoque quase exclusivo na reabilitação, não limitando excessivamente a expansão das cidades e a construção de edifícios novos.

As cidades para serem competitivas e atractivas têm de reabilitar o seu património mas também edificar construções novas.

Há sempre necessidade (e procura) de construção adicional qualificada.

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